Daniela - Diário de Leitura







APS - Atividades Práticas Supervisionadas
Profa. Sueli B. Salles
Daniela Oliveira Venerando T- 86828-9
Curso Letras 2o semestre- noturno

Blog: Letras-aps.blogspot.com


Centro histórico de São Paulo


As Letras e o centro estão intimamente ligados. Os próprios abonados moradores  eram os propulsores da efervescência cultural e literária de toda uma cidade. Eles eram os mecenas de tantos artistas, que se tornaram e contribuíram para a formação da identidade de todo um País. Além dos saraus dentro das casas, a elite paulistana tratou de cercar suas casas de edifícios ligados à cultura como o Theatro Municipal, na Praça Ramos de Azevedo e a Biblioteca Mario de Andrade, na rua da Consolação. 

Acompanhe alguns marcos: 


- Em 1885, começaram a surgir bibliotecas e livrarias, como a Casa Eclética, na Rua São Bento; a Empresa Literária Fluminense, na Rua Direita; a Paulista, na Rua São Bento e a famosa Casa Garraux, na Rua XV de Novembro.

No século 20, em 1909, foi fundada a Academia Paulista de Letras. Dois anos depois, foi terminada a construção do Teatro Municipal, considerado, a partir de então, o edifício mais importante de São Paulo

- Na década de 50, foi fundada a Companhia Teatro de Arena com a proposta de apresentar produções de baixo custo.

- Mais recentemente, em 2006, foi inaugurado o Museu da Língua Portuguesa, um dos mais visitados do País. 

Neste mês de outubro de 2019, o bairro foi palco da Festival Mário de Andrade - A Virada do Livro, que reuniu, pela primeira vez, uma festa de rua dedicada ao livro e à leitura, reforçando assim sua origem e paixão pelas Letras. 

Modernismo nasceu no centro da cidade

Em 1924, uma das mais famosas anfitriãs de São Paulo era Dona Olívia Guedes Penteado em seu casarão na rua Conselheiro Nébias. O seu famoso salão foi decisivo na formação de artistas modernistas e para o incentivo na produção de seus trabalhos. Casada com um grande comerciante de café, Dona Olívia exigia que sua casa fosse regida pelos hábitos e maneiras ditados por Paris, onde tinha voltado de uma viagem em que trouxe obras da vanguarda, dentre as quais um Léger e um Picasso. A casa, decorada por Lasar Segall, era frequentada por escritores e poetas, como Mário de Andrade, Paulo Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Cassiano Ricardo, Oswald de Andrade; e artistas como, Tarsila do Amaral e Quirino da Silva; e o compositor Villa-Lobos, entre outros grandes nomes da arte na época.

Theatro Municipal e o modernismo 

O local foi o palco da Semana de Arte Moderna, marco da cultura brasileira. Formado em sua maioria por jovens, o grupo riria revolucionar as artes por meio das inovações e causou verdadeiro frisson entre a plateia formada, em sua maioria, por pessoas essencialmente tradicionalistas. Entre os literatos e poetas, tomaram parte Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Mário de Andrade, Menotti del Pichia, Oswald de Andrade, Renato de Almeida, Ronald de Carvalho, Tácito de Almeida, além de Manuel Bandeira com a leitura do poema Os Sapos:

Os Sapos
Por Manuel Bandeira
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
– “Meu pai foi à guerra!”
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: – “Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma…
Clame a saparia 
Em críticas céticas:
Não há mais poesia, 
Mas há artes poéticas…” 
Urra o sapo-boi: 
– “Meu pai foi rei!”- “Foi!” 
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”. 
Brada em um assomo 
O sapo-tanoeiro: 
– A grande arte é como 
Lavor de joalheiro. 
Ou bem de estatuário. 
Tudo quanto é belo, 
Tudo quanto é vário, 
Canta no martelo”. 
Outros, sapos-pipas 
(Um mal em si cabe), 
Falam pelas tripas, 
– “Sei!” – “Não sabe!” – “Sabe!”. 
Longe dessa grita, 
Lá onde mais densa 
A noite infinita 
Veste a sombra imensa; 
Lá, fugido ao mundo, 
Sem glória, sem fé, 
No perau profundo 
E solitário, é 
Que soluças tu, 
Transido de frio, 
Sapo-cururu 
Da beira do rio…




Biblioteca Mário de Andrade

Como dizia José Mindlin: A gente passa, os livros ficam. Era com esse sentimento que os intelectuais e apaixonados pelos livros, muitos moradores do próprio centro, ajudaram a formar a Biblioteca Mário de Andrade, a primeira e principal biblioteca pública da cidade, que foi fundada em 1926, mas só ganhou esse nome em 1960, para homenagear o autor de Macunaíma (1928). Em 1942, mudou-se para o atual edifício, localizado na Rua da Consolação e projetado pelo arquiteto francês Jacques Pilon, considerado um marco da arquitetura Moderna em São Paulo.

Veja abaixo um link da biblioteca no youtube: 

https://www.youtube.com/channel/UC1jREOxgsYm7umIGpWvbw3A


Rota Literária 

No centro histórico ainda podemos destacar a Faculdade de Direito São Francisco, que, segundo Antonio Candido: “Só há literatura em São Paulo depois da independência, e notadamente depois da Faculdade de Direito”, local onde estudou dezenas de escritores e poetas como Castro Alves e Luís Nicolau Fagundes Varela, José de Alencar, Raul Pompea, Monteiro Lobato, Augusto de Campos, entre outros. Assim como a sede da Oficina da Palavra- Casa Mário de Andrade, onde viveu o escritor. Ressalta-se também a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, fundada em 1950, e que conserva um dos maiores acervos infanto-juvenis da América do Sul, com quase 50 mil títulos. E não poderia deixar de mencionar até o Cemitério da Consolação, onde estão os túmulos de Tarsila, Dona Olívia e Mário de Andrade, além de escritores, intelectuais e artistas que dedicaram sua vida ao culto das artes.











Autorretrato

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10.09.2019

Antes mesmo de ler, fiquei meio desanimada, porque não gosto muito de ficção científica. Mesmo assim, estava esperançosa de que a leitura seria boa, pois eu sabia que muitas obras do autor foram filmadas por grandes diretores e astros de cinema. Comecei a ler e segui por 13 páginas, pois o texto e o enredo, mesmo maluco, me prenderam. Um ponto para o autor.

13.9


Hoje descobri que, graças a Ridley Scott e o filme Blade Runner, o autor ficou conhecido pelo grande público. Essa foi a primeira das onze adaptações de sua obra para o cinema, sendo elas quatro romances e sete contos. Uau! O capítulo que estou lendo originou o filme Os agentes do destino, com Matt Damon e Emily Blunt. Li numa crítica que deixaram apenas uma ideia original mas o resto mudaram tudo...


15.9.2019


Equipe de ajuste conta a história de uma entidade, teoricamente invisível ao mundo, responsável por garantir que os fatos aconteçam conforme o planejado. A equipe,  composta por pessoas e até por animais, precisa realizar suas tarefas de maneira perfeitamente sincronizada para cumprir seus objetivos. Até que, um dia, um dos membros do grupo falha no seu timing. Nesse dia, Ed Spencer, o protagonista, que devia ter um dia absolutamente normal, acaba encontrando esta equipe no escritório onde trabalha. Ele imagina estar louco e comete o deslize de contar para a sua mulher. A partir daí a equipe precisa consertar o "estrago" para que nada se desvie do planejado. 

16.9

Todo o mundo impossível e louco das páginas de Dick era, porém, apenas um reflexo da mente do escritor. Ele foi diagnosticado com doenças mentais e transtornos diversos como agorafobia e paranoia. Muitas de suas obras foram escritas obras sob o efeito de metanfetamina. Teve cinco casamentos fracassados e conturbados que alimentava sua instabilidade emocional em várias fases da vida. Tudo isso o levou a uma internação voluntária em uma clínica de reabilitação e a algumas tentativas de suicídio. Porém, mesmo assim ele questionava em suas obras a estrutura do real e o ser humano. Em suas obras, ele cria semelhanças e analogias desconcertantes que não nos deixam indiferentes. E se a nossa realidade não fosse tão realidade assim....kkk 

17.9

Bem, o autor pirou na batatinha, é realmente muito criativo, com um enredo muito louco e fantástico. Ele fala de alienígena, tecnologia e fantasia, mas, na verdade, ele escreve sobre o mundo real e dos seres humanos e usa esse mundo inacreditável como uma metáfora. A leitura me prendeu até o final, mas o fim me decepcionou. Acabou muito de repente. Enfim, realmente não sou fã de ficção científica.    


3 comentários:

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